WITTGENSTEIN E A LÓGICA FILOSÓFICA

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Timóteo Gentil Papel1

Resumo: O presente artigo discute a lógica filosófica de Wittgenstein que se encontra patente na sua obra “Observações Filosóficas” que foi a base para a sua produção. Recorreu-se ao método hermenêutico na discussão dos vários conceitos, pois como diz o autor, a lógica preocupa-se com nossa linguagem, porque a análise lógica é analise de algo que temos e apalpamos, contudo, é analise das proposições tais como se apresentam. Assim, a linguagem é articulada por meio de três elementos fundamentais: expectativa, pensamento e desejo. A natureza da linguagem é uma imagem (figuração) da natureza do mundo, e, a filosofia na qualidade de depositária da gramática pode sem dúvida entender a natureza do mundo, não somente nas proposições da linguagem, mas em regras para essa linguagem que excluam combinações de signos e que resultem em contra-sensos.

Palavra-chaves: Lógica, Linguagem, Natureza, Filosofia da Linguagem

Abstract: The present article discusses the philosophical logic of Wittgenstein that is evident in his work “Philosophical Observations” that was the basis for its production. The hermeneutic method was used in the discussion of the various concepts, because as the author says, logic is concerned with our language, because the logical analysis is an analysis of something that we have and feel, however, it is an analysis of the propositions as presented . Thus, language is articulated through three fundamental elements: expectation, thought and desire. The nature of language is an image (figuration) of the nature of the world, and philosophy as the depository of grammar can no doubt understand the nature of the world, not only in the propositions of language, but in rules for that language which exclude combinations of signs and which result in nonsense.

Key words: Logic, Language, Nature, Philosophy of Language

Introdução

O livro Observações filosóficas de Wittgenstein, segundo a nossa análise é um tratado no qual o autor centra o seu olhar sobre alguns aspectos filosóficos e linguísticos fundamentais para a compreensão do discurso da linguagem recorrendo à lógica.

Para analisarmos em termos lógicos uma proposição é necessário que a sua gramática seja clara quer seja em que idioma possa ter sido expressa. Para isso, é necessário separar o que é essencial do que não é essencial em nossa linguagem. Isto significa que ao descrevermos a classe das linguagens que cumprem sua função, ao fazê-lo mostramos o que é essencial a elas e damos uma representação imediata da experiência imediata. O objetivo dessa separação é “entender a natureza do que é representado” (Wittgenstein, 2005: 37). Este discurso leva-nos a distinguir dois conceitos, a física e fenomenologia, recorrendo à finalidade de cada um deles, a física difere-se da fenomenologia pelo facto de interessar-se em estabelecer regras e leis, por exemplo, a lei da gravidade; ao passo que a fenomenologia só estabelece possibilidades ou hipóteses. Com efeito, “a fenomenologia seria a gramática da descrição dos factos sobre os quais a física constrói as suas teorias. Explicar é mais do que descrever, mas toda a explicação contém uma descrição” (ibidem).

No que diz respeito às cores (branca, vermelha, azul), este discurso reserva-se à psicologia porque esta questão sobre as cores é meramente psicológica. Diz-se que só está em uso a linguagem justamente quando começamos a pensar a realidade em nossa volta sobre ela. Quer dizer, a lógica preocupa-se com nossa linguagem porque a análise lógica é analise de algo que temos e apalpamos, contudo, é analise das proposições tais como se apresentam.

Daí que presume-se que a linguagem tenha surgido por meio de um pensamento definido em palavras faladas. Ou seja, a gramática funciona como uma teoria dos tipos lógicos. E, as convenções gramaticais não podem ser justificadas descrevendo o que é representado, pois, qualquer descrição desse tipo já pressupõe as regras gramaticais. Convenção é tido na lógica de Wittgenstein como um acordo entre partes interessadas, ajuste ou pacto. Portanto, não se pode usar a linguagem para ir além daquilo que é possível comprovar. E na linguagem, “os sons e as cores podem ser usados como veículo de comunicação” (idem, p. 44); porque este é o tipo de coordenação com base na qual funciona uma linguagem ouvida ou vista.

É importante que pensemos e consideremos as proposições como instruções para a construção de modelos, pois sua natureza torna-se mais clara. A palavra somente tem significado dentro de uma frase ou proposição e dentro de um contexto próprio, por exemplo, “um bastão é uma alavanca” só em uso, dado que somente a aplicação o transforma em alavanca. A ser assim, pode-se dizer que a palavra somente funciona no meio de uma proposição. E, a linguagem deve ser correspondente àquilo que ela trata e não ao que se imagina ser tratado. “O problema de entender a linguagem está ligado com o problema da vontade” (ibidem). Ora a validade da linguagem só existe quando a linguagem é posta em uso, por isso, o sentido de uma proposição é o seu propósito (deliberação decisiva) ou, o significado de uma palavra é o propósito da palavra. A respeito de uma cor, só nos é permitido conhecer se nós a reconhecemos novamente e, isto é feito graças à comparação com outras cores, mas, para reconhecer algo é preciso de identificar antes. Identificar é provar ou reconhecer a identidade de algo ao passo que reconhecer é confirmar, conhecer novamente. Mas também, podemos reconhecer uma cor recorrendo às investigações químicas que não revelam nenhuma mudança.

A lógica está aqui como se pode ver mais interessada com a proposição como fonte de um sistema linguístico; ela reflecte sempre sobre o sentido que as preposições se referem. Na lógica, o que é mais importante dentro do discurso da linguagem, é a concordância duma preposição com a realidade. A linguagem é o pensamento de várias proposições que têm a função de afirmar factos. Essas proposições são verdadeiras quando elas, correctamente, afirmam ou idealizam ou correspondem àquilo que os factos são; e são falsas quando isto não acontece. A proposição é a unidade básica da linguagem.

  1. Concepção figurativa e a expectativa

Na filosofia da linguagem, a intenção é indispensável, pois sua função se desmorona. Existe uma conexão entre a acção e a fala e, esta conexão é externa. A concepção figurativa de Russell equivale ao seguinte: dar ordem a alguém e este fazer exactamente aquilo que nos faz satisfeito. Assim, o ordenado cumpriu a ordem. A linguagem é articulada por meio de três elementos fundamentais: expectativa, pensamento e desejo.

Por isso, na filosofia da linguagem, usam-se continuamente os termos expectativa, pensamento e desejo. Estes três elementos estão intrinsecamente articulados na medida em que, se nós procuramos algo, o modo que nós procuramos expressa de alguma maneira o que nós esperamos encontrar. E, se porventura não houvesse conexão entre a expectativa e a realidade que nós esperamos então, haveria uma contra conexão ou contra-senso. A expectativa neste caso, está directamente ligada à realidade. Ter expectativa corresponde a procurar, e, procurar pressupõe saber o que se está procurando. Não se pode descrever em termos lógicos, uma expectativa, a menos pode-se fazer uma descrição na qual se compare a expectativa com o presente, uma descrição do tipo: “vejo agora um círculo vermelho aqui, e espero ver um quadrado azul mais tarde.

Tanto a imagem (figuração) quanto a realidade estão dentro de um espaço, daí que, o espaço como lugar da realização das acções é imprescindível. O que é essencial à intenção é a figuração, figuração daquilo que se pretende alcançar. Há duas coisas envolvidas no facto de um pensamento ser verdadeiro, a saber: o pensamento e o facto (realidade). Em contrapartida, para Russell existem três elementos para que o pensamento seja verdadeiro, nomeadamente: o pensamento, o facto (a realidade) e o reconhecimento. Dado a isto, a experiência decide se uma proposição é verdadeira ou falsa, porém, não decide nada sobre o seu sentido. Portanto, o sentido de uma proposição pressupõe somente o uso gramaticalmente correcto de certas palavras ou símbolos. Gramaticalmente é correcto apenas dizer: A Marta é estudante inteligente. E não é correcto nem tem sentido dizer: “as Marta é estudantes inteligente”.

Ora a questão que se levanta é: o que significa entender o sentido de uma proposição? Entender uma proposição significa saber como a questão de sua verdade ou falsidade deve ser decidida. Wittgenstein considera pertencente à linguagem, todo o facto cuja ocorrência constitua o pressuposto do sentido de uma proposição.

E, a unidade “comprimento” é a parte do simbolismo. O “comprimento” aqui é definido como a unidade principal do simbolismo e, como tal, contém o elemento especificamente espacial. Usa-se para medição de tudo o que é comensurável. O “comprimento” pertence ao método de projecção.

  1. Tempo e o mundo

A naturalidade do mundo expressa-se no próprio facto de que a linguagem pode referir-se, e de facto refere-se a ele. As proposições são comensuráveis pelo presente. O tempo é usado para designar a mudança. O tempo recorre amiúde à recordação para comprovação das acções. A linguagem somente expressa a nossa realidade. A recordação não é a fonte do tempo, porém, depositária do que efectivamente aconteceu. A proposição formula exactamente aquilo no qual o sujeito acredita.

O mundo é tudo o que acontece. O mundo é um facto. Como tal, o mundo nada por si só diz, todavia, o homem, as proposições devem dizer algo para que este mundo ganhe sentido e significado. Ora se o mundo dos dados é atemporal, como podemos falar dele? (Wittgenstein, 2005: 66).

Para responder a essa questão, Wittgenstein, em todo seu discurso sobre as observações filosóficas destaca o pensamento, pois o mundo só existe na medida em que pensamos sobre ele.

Certamente, todo o tratado sobre a linguagem é a representação deste mundo. A linguagem só ganha a sua forma e função de significar o mundo, portanto, é inconcebível uma linguagem que não diga respeito a este mundo. No mundo físico é possível afirmarmos ou falarmos dos acontecimentos passados, presentes e futuros, mas não de imagens (figurações), presentes, passadas e futuras. Ora se a recordação não é uma maneira de ver o passado como defendem alguns teóricos, como sabemos que tem de ser considerada como referência ao passado? Com a recordação referimo-nos portanto a forma lógica do movimento. Quer dizer, o que não constitui a totalidade do universo não pode ser expresso pela linguagem, isto é, pela linguagem descreve-se o mundo todo e não uma parte dele.

Então, o que seria uma aplicação da linguagem? Aplicação é o que faz combinação de sons ou marcas numa linguagem. A natureza da linguagem é uma imagem (figuração) da natureza do mundo, e, a filosofia na qualidade de depositária da gramática pode sem dúvida entender a natureza do mundo, não somente nas proposições da linguagem, mas em regras para essa linguagem que excluam combinações de signos e que resultem em contra-sensos.

Desde sempre, Realismo e Idealismo, são nomes que pertencem à metafísica. Eles indicam que seus defensores acreditam que podem dizer algo específico sobre a natureza do mundo. A aplicação ganha um lugar notável no discurso sobre a linguagem, visto que é por meio dela que a linguagem funciona e ganha sentido. Portanto, somente a linguagem diferencia as linguagens entre si.

    1. Linguagem, espaço e tempo para a descrição de um fenómeno

O argumento em volta dos elementos em epígrafe aponta que descrever uma linguagem é descrever algo físico. Consequentemente, a linguagem usada para descrever algo físico será uma linguagem física, linguagem quotidiana. Para o caso de fenómeno, diz-se que o fenómeno contém tempo mas não está no tempo. Com estas asserções levanta-se a pergunta: como é que a linguagem sendo física e desenvolvendo-se no tempo físico pode descrever um fenómeno? Esta pergunta parece ir em paralelo com a pergunta dos filósofos aos místicos a respeito da linguagem que eles usam para descrever as suas experiências, se ela corresponde com a realidade experimentada pelos místicos. Tentativas de dar à luz para um ponto de saída apontam que é preciso uma maneira de falar para representar um fenómeno do espaço visual que é subjectivo na linguagem do espaço físico. O próprio Wittgenstein enfatiza que “precisamos de uma maneira de falar com a qual possamos representar os fenómenos do espaço visual” (Wittgenstein, 2005: 82).

    1. Universalidade das proposições

Tem-se a proposição “vejo um círculo sobre um fundo vermelho”. Esta proposição diz-se que é universal ou geral pelo facto de se pressupor que a descrição abrange um círculo inteiro. A universalidade que aqui se enfatiza parece estar no contexto da coisa inteira ou uma descrição que abrange todas as partes da coisa descrita. Por exemplo, descrever uma parte do círculo pressupõe o espaço todo do círculo. Como diz próprio Wittgenstein, dizer que há “um círculo vermelho fora do quadrado”, não se refere ao caso em que “todos os círculos vermelhos estão no quadrado”.

Todavia, a universalidade também está relacionada com a negação, por exemplo, tem-se as proposições: “não há nenhum círculo fora do quadrado”; “há um círculo que não está no quadrado”. A primeira proposição é uma negação de uma generalização, ao passo que a segunda proposição é generalização de uma negação.

    1. Análise das proposições

Para que algo se considere geral ou indefinido, é preciso que haja uma universalidade em um enunciado numérico. Neste caso, tem-se como exemplo: vejo três pentágonos iguais e equidistantes um do outro. Olhando para o exemplo, a partir dele podem se produzir dois casos: o primeiro é o caso em que é dada uma descrição correcta de um campo, porém, sem se interessar com os detalhes dos elementos do enunciado. O segundo é o caso em que se tem a diferença entre objectos próprios e os elementos de conhecimento que objectos propriamente ditos.

Este estudo deixa claro que há diferença entre análise de linguagem ou análise filosófica e observação filosófica porque, a análise de linguagem ou filosófica lida-se com objectos e conceitos como resultado de uma análise; ao passo que as observações filosóficas lidam-se com formas a que a proposição se submete. Aqui parece haver uma tendência errada no uso do termo objecto porque muitas vezes o uso da palavra objecto leva as pessoas a confundir os resultados da análise. Há vezes em que a generalidade ou indefinição desaparece e isto só acontece quando não há distinção dos elementos da proposição. Por exemplo, “dizer que há telefones naquela loja, pode-se imaginar que os telefones todos são iguais naquela loja, mas que pode-se distinguir pelo espaço ocupado pelos telefones” (Wittgenstein, 2005: 116).

Conquanto, analisa-se a questão segundo a qual não existe o conceito de “cor pura”. “A” tem uma “cor pura”. Olhando para a primeira proposição vem a ideia de que uma coisa que é inconcebível é, consequentemente, impossível falar dela, seja positivamente ou negativamente. Se o autor já foi capaz de falar acerca do conceito da cor pura, então ela existe. Deste argumento compreende-se melhor que é possível o “A” aparecer com propriedades (cor pura) concebíveis como cores: vermelha, azul, verde; logo, o “A” é vermelho ou azul ou verde por ai em diante (ibidem).

Noutra natureza das proposições, temos que dizer que “este chapéu pertence a A ou B ou C”, é diferente com a proposição “este chapéu pertence a alguém nesta sala”. Observando a segunda proposição, parece que esta carece de um esclarecimento porque mesmo que A, B e C estejam na sala, o termo alguém carece de especificidade, se é A ou B ou C – já que o único chapéu não pode pertencer a todos, (A, B e C), mas a um elemento na sala. Portanto, se se admite a primeira proposição, então a segunda proposição deve estar completa especificando ou descrevendo a quem exactamente o chapéu pertence.

Por isso, a questão das permutações é possível conhecendo o número de elementos que vai determinar o número das permutações; e o que se faz nas permutações é exactamente o que se faz nas combinações. Por exemplo, “se o número dos elementos é dois, o número das permutações é dois; se há três elementos ter-se-á seis permutações. Aqui fica claro que quanto maior for o número de elementos maior será o número de permutações” (Wittgenstein, 2005: 116).

As observações filosóficas entraram também para observar perguntas matemáticas. As soluções para estas perguntas têm um método e é a partir deste método que as perguntas surgem. A asserção que há duas permutações de dois elementos corresponde ao esquema da permutação, e isto é diferente de dizer que há 9 permutações em 3 elementos; porque a esta afirmação não há esquema correspondente. Exemplo de pergunta matemática: “quantas permutações de quatro elementos existem?” Isto em termos de natureza, equivale a perguntar “quanto é 25 x 18?” E, o inquirido não fará mais nada se não dizer 450.

A proposição “tenho tantas colheres quantas podem ser colocadas em correspondência 1-1 com uma dúzia de xícaras” (Wittgenstein, 2005: 118), pode ser observada filosoficamente em duas perspectivas: na perspectiva da suposição e na perspectiva da não suposição. Para perspectiva da suposição, supõe-se que a pessoa tenha doze colheres. Neste caso, não se pode corresponder a doze xícaras porque se há menos ou mais que doze colheres a correspondência será impossível. Ao passo que no caso da perspectiva da não suposição, aqui o indivíduo pode ser que tenha doze colheres. Isto é evidente mas não pode ser. Depois de toda a observação a pergunta que existe é: será que a afirmação diz algo menos do afirmado, ou algo que juntado com outras proposições implica ou refere exatamente a algo afirmado? Essa discussão só pode ser sanada estando consciente de que se está diante de duas classes de coisas (colheres e xícaras); e para possível correlação entre estas duas classes é preciso fazer-se a contagem para apurar o número exacto de elementos (coisas) de ambas as partes.

Aqui, como diz Wittgenstein, a preocupação de Russell é de mostrar a semelhança de duas classes. Para isso, há aquilo que é correlação real e correlação de possibilidade. Para Russell, só é através da correlação real que se pode mostrar a semelhança entre duas classes, porque a correlação de possibilidade consiste na igualdade numérica e é interna encontrando-se entre as extensões dos conceitos. Como se fez menção antes, esta relação é possível somente por meio da igualdade dos dois números (ibidem).

Os argumentos para eventos físicos apontam que um evento físico que ocorre é testemunhado por vários tipos de testemunhas tais como: ocular, auricular, o testemunho de medição. E estes testemunhos verificam-se dentro de um espaço concreto. Daqui, a pergunta que se coloca é: que impossibilidade é a impossibilidade de estabelecer uma correlação entre estas duas classes? Parece que uma das condições sine qua non para que haja possibilidade de se estabelecer uma correlação, é que uma proposição significativa deve afirmar ou descrever a sua existência. Porém, para o caso da questão acima colocada, parece que o facto que faz com que a correlação acima não seja possível é de que esta correlação é impossível descrevê-la.

Daí que Frege aparece com os conceitos, como referência e sentido. Em termos de tautologia ao invés de falar-se das propriedades da tautologia, fala-se da referência da tautologia, e a maneira de como a tautologia acontece, designar-se-á de sentido da tautologia. O termo tautologia refere-se ao vício que consiste em dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes. Partindo desta linha, como Ramsey, pode-se afirmar que se o sinal de igualdade (=) que a = a é uma tautologia e a = b uma contradição, então tanto a tautologia como a contradição não têm sentido. Esta chama-se tautologia de explicação.

A preocupação que daqui surge é de se encontrar a relação entre o sinal de igualdade definido e o sinal de igualdade explicado através da tautologia e da contradição. A outra preocupação é de se ter a tautologia nas duas proposições. Se uma tautologia mostra algo porque o sentido oferece referência, não há nada que se mostra; porque é uma tautologia por definição e não por explicação. Quanto a estas preocupações, se vêem elementos que são parte destas preocupações: a = a é tautologia e a = b é contradição, aqui a única saída de se ter a tautologia nas duas proposições é que “a” e “b” devem ter a mesma referência segundo as regras dos sinais. Aqui, a referência significa aquilo que se refere; como Strawson diz, aquilo que “é sempre uma propriedade de uso de um enunciado” (Carrilho, 1951: 71). Quanto à relação dos sinais de igualdade, tem-se argumentado que o sinal de igualdade é considerado simplesmente de elemento assertivo, e este elemento mostra nada.

O sinal de igualdade está entre os outros sinais que concorrem para formular a tautologia. Sem sair do seu contexto, este sinal pertence a proposição. Mas ele funciona como elemento copulativo que faz com que a equação seja dotada de natureza proposicional. Razão pela qual uma tautologia mostra alguma coisa; uma equação mostra nada, pelo contrário, ela indica que seus membros mostram alguma coisa. Por falar mesmo de uma equação, há uma asserção segundo a qual uma equação é uma regra de sintaxe. Por sintaxe, percebe-se um estudo de regras de combinação e transformação da linguagem. Também afirma-se que a sintaxe é o estudo “que se ocupa das relações dos signos entre si e das regras da sua combinação” (Carrilho, 1951: 74). Para a asserção acima, parece que o autor da asserção está querendo vincar que a sintaxe é compreensível, porque as suas regras são compreensíveis, de sorte que um infinito que está acima da compreensão do homem não entra nestas regras. Deste modo, se dá uma clara compreensão aos formalistas que vêem a matemática como jogo de signos, porque as regras dos signos, são diversos recursos de proporções de linguagem, por outro lado, para além de dar clara compreensão, parece que o autor quer eliminar a ideia de que na matemática há perguntas sem resposta.

Conclusão

Neste artigo foram discutidos aspectos como a concepção da figuração e expectativa, tempo e mundo, a linguagem, espaço e tempo para a descrição de um fenómeno, a universalidade das proposições e a análise das mesmas. Como se sabe, na Filosofia da linguagem a intenção é indispensável, pois sua função se desmorona e, esta linguagem é articulada por meio de três elementos fundamentais que são a expectativa, pensamento e desejo. E, para que um pensamento seja verdadeiro, há duas coisas envolvidas no facto que são o pensamento e o facto, isto é, a realidade. Portanto, para Wittgenstein, a aplicação da linguagem é o que faz combinação de sons ou marcas numa linguagem. Quer dizer, a natureza da linguagem é uma imagem (figuração) da natureza do mundo, e, a filosofia na qualidade de depositária da gramática pode sem dúvida entender a natureza do mundo, não somente nas proposições da linguagem, mas em regras para essa linguagem que excluam combinações de signos e que resultem em contra-sensos.

Referências Bibliográficas

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. Trad. José Artur Giannotti. São Paulo: Editora Nacional, 1968.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Observações filosóficas. São Paulo: Loyola, 2005.

CARRILHO, Manuel Maria. O que é Filosofia. São Paulo: Quimera, 1951.

1 Docente de Introdução a Filosofia e Língua Portuguesa em Cabo Delgado – Moçambique; Licenciado em Ensino de Filosofia e História pela Universidade Pedagógica (UP); Licenciando em Direito pelo Instituto Superior Monitor (ISM); Mestrando em Educação com Especialização em Organização e Gestão de Centros Educacionais pela Universidad Europea del Atlântico – Espanha.

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