Avaliação da reserva de fluxo miocárdico pela ecocardiografia com perfusão miocárdica em tempo real em pacientes com disfunção ventricular esquerda, antes e após reabilitação cardiovascular por …

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Tese de: João Manoel Theotonio dos Santos

RESUMO: Introdução: A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica; complexa e progressiva; que pode resultar de qualquer distúrbio funcional ou estrutural do coração que altere sua capacidade de enchimento e/ou ejeção; sendo que a maior parte dos pacientes evolui com disfunção ventricular esquerda (DVE). O exercício físico é aceito como um importante coadjuvante no tratamento desta condição clínica por promover significativa melhora da capacidade funcional dos pacientes; entretanto os mecanismos pelos quais isto ocorre ainda não estão totalmente elucidados. Neste contexto; a Ecocardiografia com Perfusão Miocárdica em Tempo Real (EPMTR) pode ser um método bastante útil tanto na avaliação de parâmetros hemodinâmicos quanto de perfusão miocárdica; facilitando o melhor entendimento das alterações fisiopatológicas promovidas pela reabilitação cardiovascular por exercício físico supervisionado (RCVEFS) e conseqüentemente; seu impacto terapêutico no prognóstico deste grave grupo de pacientes. Objetivo: Avaliar se a RCVEFS pode melhorar a reserva de fluxo miocárdico; medida pela ecocardiografia com perfusão miocárdica em tempo real; em pacientes com DVE de etiologia não isquêmica. Métodos: Avaliamos prospectivamente 40 pacientes maiores de 18 anos; com disfunção ventricular esquerda definida por fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) calculada pelo método de Simpson <45% e sem limitações para a prática de exercício físico; que foram convidados para um programa de RCVES por um período de 4 meses. Os pacientes foram randomizados para Grupo Treinamento ou Grupo Controle. Foram realizados; na sua entrada no estudo e após 04 meses de acompanhamento dos grupos; ergoespirometria e EPMTR. A análise da perfusão foi realizada por um examinador independente (cego); que verificou o pico de intensidade miocárdica normalizado pela intensidade acústica da cavidade (AN); velocidade de repreenchimento das microbolhas após sua destruição completa com um feixe de alta energia ultrassônica (ß) e o fluxo sanguíneo miocárdico (AN x ß); utilizando o programa Q-Lab Philips Ultrasson. Resultados: Dos 40 pacientes inicialmente selecionados; 23 concluíram o estudo; sendo 13 no Grupo Treinamento (idade média 53 ± 13 anos; sendo 09 do sexo masculino; 15% tabagistas; 38% dislipidemia; 85% Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS); 15% Diabetes Melito (DM) e 31% Doença de Chagas) e 10 no Grupo Controle (idade média 59 ± 12 anos; sendo 04 do sexo masculino; 10% tabagistas; 50% dislipidemia; 90% HAS; 30% DM e 10% Doença de Chagas). Não houve melhora da FEVE no Grupo Treinamento (26+14 para 26+13) e no Grupo Controle (26+6 para 27+6). No Grupo Treinamento houve aumento do AN de 1;21 dB para 1;43 dB (p=0;02); do ß de 1;51 Seg-1 para 2;20 Seg-1 (p= 0;0001) e do AN x ß de 1;81 dB/Seg para 3;05 dB/Seg (p= 0;001); também houve melhora do VO2 Pico de 21;75ml/Kg/min para 24;76 ml/Kg/min (p= 0;0005). No Grupo Controle houve aumento do AN de 1;14 dB para 1;15 dB (p=0;91); diminuição do ß de 1;72 Seg-1 para 1;46 Seg-1 (p= 0;03) e diminuição do AN x ß de 1;89 dB/Seg para 1;55 dB/Seg (p= 0;01); também houve piora do VO2 Pico de 21;14 ml/Kg/min para 20;7 ml/Kg/min (p= 0;58). Conclusão: O programa de reabilitação cardiovascular por treinamento físico supervisionado melhorou a reserva de fluxo miocárdico em pacientes com Disfunção Ventricular Esquerda de etiologia não isquêmica.

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