Ação do 5-hidroxi-2-hidroximetil-gama-pirona, um metabólito secundário isolado de fungos do gênero aspergillus, sobre a Leishmania (Leishmania) amazonensis e a célula hospedeira

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Dissertação de ANA PAULA DRUMMOND RODRIGUES

As leishmanioses são um complexo de doenças causadas por parasitas do gênero Leishmania
que são protozoários intracelulares obrigatórios, infectam células do sistema fagocítico mononuclear
e são transmitidos por flebotomíneos. A quimioterapia é o tratamento mais eficaz da
doença. Apesar de uma variedade de drogas antileishmania estarem disponíveis, estas drogas
são geralmente tóxicas, caras e requerem um longo período de tratamento. Novas drogas isoladas
de plantas e microorganismos têm demonstrado ação leishmanicida. Assim, consideramos
interessante analisar o metabólito secundário (HMP) produzido por algumas espécies de
fungos como Aspergillus, Penicillium e Acetobacter contra promastigotas e amastigotas de L.
amazonensis e o seu efeito sobre a célula hospedeira. Este metabólito tem atividade bacteriostática
e é eficaz na inibição da formação de L-DOPA (3,4-dihidróxi-L-fenilalanina) pela tirosina
no processo de biossíntese de melanina. Entretanto, a atividade antileishmania e os efeitos
sobre a célula hospedeira não são conhecidos. Sendo assim, o HMP diminuiu o crescimento
de promastigotas em 62% na concentração de 50µg/mL (IC50 30.6µg/mL). Além disso,
ocorreu uma diminuição do crescimento de 79% (IC50 13.3µg/mL) de amastigotas em macrófagos
infectados e tratados com a mesma concentração. Alem da ação sobre o parasito,vários
efeitos foram observados em macrófagos tratados, como o aumento do citoplasma e da habilidade
de espraiamento, alterações no citoesqueleto, aumento da fagocitose, do número de projeções
citoplasmáticas e vacúolos. A análise da atividade microbicida da célula hospedeira
tratada mostrou que ocorreu a produção de radicais superóxidos, detectado pelo teste com
Nitro Blue Tetrazolium (NBT), mas não foi observada a produção de NO e alteração na atividade
da enzima fosfatase ácida. Nenhum efeito citotóxico e aumento de morte celular foi observado
na célula hospedeira. Estes resultados demonstraram que o metabólito foi eficaz na
inibição do crescimento do protozoário sem causar danos à célula hospedeira. Assim, a partir
dos resultados obtidos conclui-se que o HMP pode ser utilizado como agente leishmanicida,
sendo promissor para utilização tópica no combate à Leishmaniose tegumentar causada por
Leishmania amazonensis, uma vez que já é utilizado em cosméticos para tratamento de melasma.

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