Ação da sinvastatina na resposta inflamatória aguda após infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST

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Dissertação de José Carlos Quinaglia e Silva

RESUMO: Fundamentos: A lesão miocárdica secundária ao infarto agudo do miocárdio (IAM) induz uma resposta inflamatória local e sistêmica; que é fator determinante para o remodelamento vascular e miocárdico e para a mortalidade a curto e médio prazo. O tratamento com estatinas tem-se demonstrado útil na atenuação da resposta inflamatória em pacientes assintomáticos; com doença arterial coronariana crônica (DAC) e em pacientes com IAM sem supradesnivelamento do segmento ST ou angina instável. Desconhece-se se o uso precoce de estatina atenua igualmente a resposta inflamatória em indivíduos com massas infartadas mais extensas; se esse efeito é dose-dependente e se há benefício no uso prévio ou prejuízo em sua suspensão na fase aguda do IAM. Objetivos: O presente estudo tem como objetivos: (i) avaliar se a massa infartada é determinante da resposta inflamatória na fase aguda do IAM; (ii) se o uso de sinvastatina prévia ao IAM ou sua suspensão influenciam a resposta inflamatória na fase aguda do IAM; e (iii) avaliar se o efeito anti-inflamatório das estatinas é dose-dependente. Casuística e métodos: Foram admitidos 247 pacientes (60 ± 11 anos) nas primeiras 24 horas após IAM com supradesnivelamento do segmento ST. Todos os pacientes foram submetidos à avaliação clínica e antropométrica na admissão e sua evolução foi acompanhada pelos investigadores na fase intra-hospitalar e até dois anos após o evento inicial. Amostras de sangue foram colhidas na admissão e no quinto dia após o IAM; em todos os pacientes. Em um subgrupo de pacientes; consecutivas amostras diárias foram colhidas por sete dias para determinação da cinética plasmática da proteína C reativa (PCRas). Esse subgrupo foi também submetido à ressonância nuclear magnética (RNM) com a técnica de realce tardio para a quantificação da massa infartada. Resultados: Encontrou-se uma correlação fraca; mas significativa; entre a variação da PCRas da admissão e do quinto dia e o pico da CK-MB que marca a extensão do IAM (r=0;19; p=0;005). No subgrupo (n=40) que realizou RNM; não se observou correlação entre a massa infartada e a variação da PCRas. Avaliaram-se os pacientes conforme o uso de estatinas: uso prévio e durante a hospitalização (Grupo SS); uso prévio; mas não durante a hospitalização (Grupo SN); sem uso prévio; mas uso durante a hospitalização (Grupo NS); e sem uso prévio ou durante a hospitalização (grupo NN). Na admissão; os usuários de estatina apresentaram níveis plasmáticos mais baixos de PCRas quando comparados aos demais; mas a diferença não atingiu significância estatística (p=0;08). No quinto dia; a mediana da PCRas foi significativamente mais alta no grupo SN que nos demais (p<0;0001). A mediana da PCRas do quinto dia foi significativamente mais baixa no grupo NN que no SN (p<0;0001); mas mais alta que nos grupos NS e SS (p<0;0001). Por fim; avaliou-se o efeito anti-inflamatório de distintas doses de sinvastatina. No subgrupo que realizou dosagem diária nos primeiros sete dias após o IAM; observou-se diferença significativa na área sob a curva (77 ± 9 vs 47 ± 21 vs 27 ± 22 vs 6 ± 5; para os não-usuários de estatina; usuários de 20mg/dia; 40 mg/dia e 80 mg/dia; respectivamente; p<0.0001). Esse efeito foi igualmente observado; considerando-se a variação entre a admissão e o quinto dia em todos pacientes participantes deste estudo (6;8 ± 5;2 vs 5;7 ± 6;5 vs 3;9 ± 4;3 vs 2;2 ± 4;3; para os não-usuários de estatina; usuários de 20mg/dia; 40mg/dia e 80mg/dia; respectivamente; p<0.001) Conclusões: A resposta inflamatória sistêmica; estimada pelos níveis plasmáticos da PCRas; é pouco ou nada influenciada pela extensão do IAM inferida pelo pico da CK-MB ou pela RNM. A suspensão da estatina durante na fase aguda do IAM provoca um efeito rebote com intensificação da resposta inflamatória. Seu uso prévio intensifica a atenuação da resposta inflamatória. A redução da PCRas foi significativamente distinta e proporcional à dose de sinvastatina utilizada na fase aguda.

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