Abolicionismo popular na corte do Rio de Janeiro (1879 – 1888)

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Dissertação de Gustavo Monteiro de Rezende

RESUMO: Esta dissertação visa analisar o papel desempenhado pelos setores livres pobres urbanos (o povo, no jargão dos abolicionistas) durante a década de 80 do século XIX na Corte (atual município do Rio de Janeiro) do Império do Brasil, sua relação com grupos dominantes e abolicionistas. Nossa análise não se prende ao movimento abolicionista, tendo a “Revolta do Vintém” um espaço dedicado em nosso trabalho. A historiografia da abolição não é generosa com os setores livres pobres urbanos. Rotineiramente, a história a década de 80 é contada com três protagonistas: escravos, grupos dominantes e abolicionistas; ficando o povo renegado nos trabalhos. Visando auxiliar no preenchimento desta lacuna historiográfica, surge este trabalho. A década de 80 do século XIX no Império do Brasil (especialmente na Corte) é marcada por uma série de discussões que trariam modificações estruturais importantes no Brasil. O fim do trabalho escravo, a reforma eleitoral e o advento do republicanismo foram pontos que estiveram na “agenda” da sociedade brasileira. A “Revolta do Vintém” foi um evento que catalisou todas estas questões em um único movimento social. O imposto do vintém, cobrado sobre as passagens de bonde, não fora o grande foco de divergência entre setores dominantes e populares e abolicionistas; somente o gabinete liberal de 5 de janeiro o defendia. A divisão se dava por conta da intensa participação popular que se desenhava desde dezembro de 1879. Como fazer cair o infeliz imposto? Uns diziam que através do parlamento (grupos dominantes), outros através de manifestações públicas de repúdio (abolicionistas como Lopes Trovão e Ernesto Sena). Neste contexto, surge uma batalha de discursos com vinculações entre a “revolta do vintém”, participação popular e republicanismo. A relação entre abolicionistas e populares – como bem exemplifica a “Revolta do Vintém” – extrapolava a temática do final da escravidão. Os abolicionistas em alguns momentos mostram certo senso de hierarquização do movimento (como no “13 de maio”), mesmo assim lutavam por interesses do povo junto com o povo. Os populares, longe de serem um grupo de indivíduos orquestrados por aproveitadores (discurso adotado pelos grupos dominantes), possuíam seus objetivos e metas. E a década de 80, repleta de novidades, fez com que não mais os setores dominantes conseguissem isolar completamente os setores livres pobres urbanos.

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