A atuação político-estratégica da Petrobras na Bolívia e na Venezuela

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Dissertação de Danielle de Oliveira Vieira

RESUMO: A presente dissertação tem o objetivo de analisar o processo integracionista em curso na América do Sul, que tem a peculiaridade de apresentar um agente bastante destoante em termos de peso econômico, o Brasil, proveniente de um projeto colonial europeu diferente do de seus vizinhos, tendo efeito escolhas distintas ao longo de sua história. A hipótese testada para o problema refere-se à montagem de uma rede estatal-privada na área energética, a fim de aprofundar a integração regional. Tal rede de infraestrutura teria condições de ser implantada, em virtude da atual percepção do papel da América do Sul no sistema internacional. O modelo empregado na comparação realizada é o de Bloch, para quem a História deve valer-se de outros campos teóricos como a Economia, a Geografia e as Relações Internacionais. Neste último campo, a teoria utilizada é o Neofuncionalismo, em razão de acreditamos que a cooperação energética entre os países sul-americanos e a construção de infraestrutura regional pode servir de estímulo para integrar, progressivamente, as economias da região. A pesquisa revela que desde o governo Geisel, os hidrocarbonetos bolivianos atraíram o interesse do Brasil. Contudo, a consolidação dessa política só aconteceu na presidência de Fernando Henrique Cardoso com a construção do Gasbol. Em relação à Venezuela, desde a eleição de Chávez, a diplomacia do país vem-se pautando na aproximação com os países da América do Sul e do Caribe. Sua ascensão política marcou uma maior aproximação entre Caracas e Brasília. Como conclusão, o estudo defende que o incremento do consumo de energia sul-americano no próximo decênio poderá ser um fator dinamizador para as iniciativas de integração física da região. Há espaço para aproveitar as complementaridades energéticas do continente. Contudo, para isso será necessário investir em infraestrutura e fomentar a cooperação no setor de energia, a fim de que as economias da América do Sul possam crescer e se desenvolver de maneira mais autônoma, sem precisarem importar hidrocarbonetos de outros mercados. A participação do gás natural na matriz energética sul-americana deve aumentar, assim como deve haver um incremento da produção de biocombustíveis, área em que o Brasil possui excelência e que pode transformá-lo em líder desse mercado.

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