A alfabetização e o letramento de jovens, adultos e idosos sob a ótica da sociolinguística educacional

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Tese de Maria Alice Fernandes de Sousa

RESUMO: A pesquisa relada nesta tese teve por como objetivo analisar como os conhecimentos de fundamentos da Sociolinguística Educacional, por parte de uma professora alfabetizadora, contribuem para o desenvolvimento de estratégias facilitadoras da aprendizagem da leitura e da escrita escolar de jovens, adultos e idosos. Um jovem, um adulto ou um idoso, ao entrar para a escola a fim de se alfabetizar, já traz consigo uma longa experiência linguística e dá mostras de sua capacidade de entender e utilizar a língua nas diversas circunstâncias da vida em que precisa usar a linguagem. Porém, ainda não sabe escrever nem ler. No tocante a essa realidade, caberia à escola utilizar-se de tais conhecimentos linguísticos como fundamento para o ensino da língua materna. A Sociolinguística Educacional tem-se ocupado em contribuir para a elaboração de novas formas de organização do trabalho pedagógico docente que deem conta de desenvolver as habilidades cognitivas dos alunos necessárias à ampliação de sua competência comunicativa oral e escrita, tornando-os mais proficientes em sua língua materna e habilitando-os a exercerem conscientemente e criticamente a cidadania. O locus da pesquisa é uma sala de aula de alfabetização de jovens, adultos e idosos, do projeto Alfabetização Solidária da Universidade Católica de Brasília, localizada na cidade de Ceilândia-DF. A pesquisa permite afirmar que a leitura dos alunos é afetada pela sua oralidade, pois tão logo acabam de decodificar as palavras, eles as “traduzem” para sua variedade de fala, por meio de uma típica estratégia de mudança de código. No entanto, pode-se observar que essa mudança de código linguístico não prejudica a compreensão do sentido da palavra, pelo contrário, parece favorecê-la. Em relação à organização do trabalho pedagógico e ao ensino da língua materna, conclui-se que os estudos de base sociolinguística contribuíram significativamente. Quanto à interface entre os saberes da oralidade e o ensino da leitura e da escrita, pode-se afirmar que quando a professora aprendeu a fazer a distinção entre os problemas na aprendizagem da leitura e escrita que decorrem da interferência das regras fonológicas variáveis e a falta de familiaridade das convenções ortográficas, pode elaborar intervenções didáticas favoráveis a tal ensino. Quanto à competência com que os jovens, adultos e idosos se desenvolvem nas práticas de letramento, conclui-se que as aprendizagens conquistadas pelos alunos lhes atribuíram habilidade para se saírem bem nas práticas que solicitavam conhecimentos compatíveis com a escolarização de alfabetização na Educação de jovens Adultos, EJA.

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