A Agathotopia de Charles Sanders Peirce

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Tese de Maria Augusta Nogueira Machado Dib

RESUMO: Se não pela via das crenças subjetivas psicológica e religiosa; como uma crença filosófica lógica objetiva pode atribuir ao amor; a função de lei sob a qual se dá o continnum desenvolvimento evolucionário da vida? Não afeita a imperativos categóricos ideológicos quer de ordem filosófico-moral e psicológica (como o kantiano); quer de ordem religiosa (como o cristão); a crença pragmaticista de Charles Sanders Peirce na ação instintiva para a vida em relação a tudo no Universo; estende este instinto para uma atração ao crescimento e desenvolvimento não individualista em direção ao summum bonum desde o organismo microscópico até o macro; passando pelos homens: “o progresso vem de todo individuo que funda a sua individualidade na sintonia (affect) com os seus próximos” (CP 6.294). A arquitetura filosófica lógica metafísica de Peirce postula o amor – ágape como condição de lei cósmica evolutiva; onde o cosmos é mente e dotado de vida (CP 6.289). Segundo o Diccionario de Filosofia de Nicola Abbagnano; na página 27; o Agapismo é um termo adotado por Peirce para designar a “lei do amor evolutivo”; em virtude do qual a evolução cósmica tenderia a incrementar o amor fraterno entre os homens; e seguidamente; o mesmo Diccionário define Agatologia que; raramente utilizado; designa a doutrina do Bem como parte da ética. Se o pragmatista William James; contemporâneo e amigo de Peirce; conservouse na crença da ação como fim último; e então talvez para ele houvesse a possibilidade de uma ação ética como fim último; Charles Sanders Peirce dele se diferenciará; preferirá ser considerado um pragmaticista (CP 5.414) bem como preferirá se dedicar à investigação do processo evolucionário que leva ao summum bonum; onde Estética; Ética e Lógica convergem para um mesmo fim; o Bem. (EP 2.27). Agathotopia; termo utilizado pelo premiado Nobel de Economia (1977) James Edward Meade; aparece no universo da economia política como um modelo alternativo (uma combinação do que há de melhor no sistema capitalista com o que há de melhor no sistema socialista) e possível para construção de uma boa sociedade para se viver; tal qual o lugar ideal há tanto buscado pela Utopia de Thomas More (1516) e outras Utopias mais ao longo do pensamento filosófico; desde a República de Platão. Em Peirce; o que aqui lhe atribuímos – Agathotopia – diferente e originalmente; não se reduzirá a um bom lugar geográfico específico e ideal para se viver como querem as Utopias; não um lugar pós – morte como postulam as religiões; e tampouco um modelo sócio-político-econômico que promova o bem-estar coletivo na realidade do universo existencial. A Agathotopia de Charles Sanders Peirce está proposta ao todo de sua arquitetura metafísica científica; na sua filosofia lógica realista de seu idealismo objetivo; no seu Sinequismo; que se dá pela contínua semiose entre signo – objeto- interpretante; no processo mesmo de crescimento da razoabilidade; um continuado movimento teleológico autocorretivo em direção ao aperfeiçoamento evolutivo; e que credita ao amor agápico; a função de lei mental como um hábito do universo; criador e mantenedor deste processo evolucionário. Se Peirce crê nesta ação dinâmica mental amorosa que tende para o fim Admirável; Justo e Verdadeiro; então talvez ele esteja propondo não uma Utopia a mais na história da Filosofia; mas sim; e pela primeira vez; uma Agathotopia; um tópos para o Summum Bonum.

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