A ação fisiológica da adrenalina na regulação do metabolismo de proteínas musculares no jejum

#publicaciencia

Dissertação de Flávia Aparecida Graça

RESUMO: Embora já esteja bem estabelecido que o Sistema Nervoso Simpático exerça efeitos anabólicos no metabolismo de proteínas musculares em condições basais, seu papel fisiológico no turnover de proteínas em situações de demanda energética ainda é desconhecido. Assim, o presente trabalho teve como objetivo principal investigar o efeito da adrenodemedulação (após 10 dias da remoção cirúrgica da medula adrenal) no catabolismo protéico muscular induzido pelo jejum de 2 dias em ratos. Foram utilizados ratos machos Wistar, adultos (~230g) e jovens (~80g), os quais foram divididos em quatro grupos: (1) Sham alimentado, (2) Sham jejuado por 48h, (3) Adrenodemedulado (ADMX) alimentado e (4) ADMX jejuado por 48h. A eficácia da desnervação foi comprovada por meio da dosagem das catecolaminas plasmáticas por HPLC. O jejum não alterou as concentrações das catecolaminas circulantes, entretanto, a adrenodemedulação praticamente aboliu as concentrações de adrenalina e reduziu em 60% as de noradrenalina no plasma de animais alimentados e jejuados, sem alterar as concentrações plasmáticas de corticosterona. O metabolismo de proteínas in vivo foi monitorado indiretamente pela determinação da concentração intersticial de tirosina no músculo tibial anterior de ratos adultos pela microdiálise. A redução das catecolaminas circulantes aumentou o catabolismo protéico em músculos de ratos jejuados, sendo este aumento proveniente de uma maior liberação local de tirosina sem alteração arterial do aminoácido ou do fluxo sanguíneo muscular. Em seguida, músculos soleus e EDL de ratos jovens foram utilizados para os experimentos in vitro, onde se investigou a velocidade de síntese protéica, a degradação total de proteínas assim como as atividades dos diferentes sistemas proteolíticos e expressão dos atrogenes (genes relacionados com atrofia e autofagia). Como esperado, o jejum reduziu a síntese protéica em músculos de animais Sham e ADMX de forma semelhante. No entanto, a depleção da adrenalina em animais alimentados aumentou a velocidade de incorporação da tirosina marcada com 14C em proteínas nos músculos EDL e soleus, sugerindo um aumento do turnover de noradrenalina muscular ou uma hipersensibilização à ação da insulina. A degradação total de proteínas musculares no músculo EDL foi extremamente aumentada no grupo ADMX jejum quando comparado ao grupo jejum. Entretanto, a degradação protéica em músculos soleus não foi alterada pelo jejum ou pela ADMX. O aumento adicional de proteólise total observado no músculo EDL de ratos jejuados induzido pela ADMX foi associado a uma hiperativação dos sistemas lisossomal e dependente de Ub-proteassoma. Em paralelo, observou-se um aumento da expressão gênica das E3 ligases (atrogina-1 e MurF1) e dos genes autofágicos (LC3 e GABARAP) no jejum, sendo esse aumento exacerbado com a depleção da adrenalina plasmática. Verificou-se também uma redução da fosforilação da Akt em músculos esquelético de ratos ADMX jejuados em relação ao grupo jejuado. Os dados do presente estudo nos permitem concluir que a depleção das catecolaminas plasmáticas, principalmente a adrenalina, amplifica os efeitos catabólicos induzidos pelo jejum na ativação dos sistemas proteolíticos (lisossomal e Ub-proteassoma) e na expressão dos atrogenes em músculos EDL de ratos, sendo este efeito provavelmente devido à redução da fosforilação da Akt. Portanto, a secreção da adrenalina plasmática parece ter um importante papel protetor na perda de proteínas musculares durante o jejum.

Hits: 60

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *