COMPORTAMENTO DE Myzus persicae (SULZER) (HEMIPTERA: APHIDIDAE) E TRANSMISSÃO DE ESTIRPES DE Potato virus Y (PVY) EM DIFERENTES CULTIVARES DE BATATA

#publicaciencia

Tese de Fernando Javier Sanhueza Salas

Resumo: Na cultura de batata (Solanum tuberosum L.), os afídeos se destacam pela transmissão de muitos vírus, sendo fundamental o
estudo da interação planta -vírus-vetor pa ra o estabelecimento de medidas adequadas de manejo. Este trabalho teve como principais
objetivos identificar estirpes do vírus Y da batata (Potato virus Y – PVY) presentes em três áreas produtoras do Estado de São Paulo
(Capão Bonito, Itapetininga e Paranapanema), estudar a sua transmissão por afídeos para cultivares de batata e caracterizar o
comportamento alimentar do vetor Myzus persicae (Sulzer) nesses cultivares. Para tal, realizaram -se testes com os cultivares Ágata,
Jaette Bintje, Mondial, Monalisa (Brasil) e Santè (Espanha) buscando -se avaliar a resistência à transmissão de PVY, o efeito
sobre o desenvolvimento (antibiose) e a não-preferência (antixenose) por afídeos, além de um ensaio comparando a
eficiência de transmissão por M. persicae e Aphis gossypii . O comportamento alimentar de M. persicae no interior do tecido
vegetal foi caracterizado pela técnica de “Electrical Penetration Graph” (EPG), visando a identificação de possíveis fatores de
resistência a este inseto. A caracterização biológica, sorológica e molecular dos isolados de PVY indicou a ocorrência das estirpes
PVYO, PVYC e PVYN e PVYNTN na região sudoeste do Estado de São Paulo. As estirpes PVYO, PVYN e PVYNTN são transmitidas por
A. gossypii e M. persicae, porém com maior eficiência pelo último.
Quanto à transmissão das estirpes de PVY por M. persicae para diferentes cultivares de batata, observou-se uma variação na
porcentagem de infecção de acordo com a estirpe testada, indicando diferentes níveis de resistência. O cultivar espanhol Santè foi resistente a todas as estirpes, enquanto que os demais foram suscetíveis ou apresentaram apenas resistência moderada.
Os ensaios de livre escolha mostraram preferência de M. persicae pelo cv. Mondial, e nenhuma diferença significativa entre os dema is
cultivares. O estudo de antibiose indicou menor crescimento populacional (antibiose) deste afídeo no cv. Monalisa em relação
aos outros dois cultivares avaliados, Ágata e Jaette Bintje. O monitoramento alimentar de M. persicae por EPG indicou que o
cultivar Santè inibe o início da alimentação sobre a planta, enquanto que em ‘Monalisa’ observou-se um comportamento que
sugere resistência física à alimentação. O cultivar Mondial mostrou valores intermediários para todas as variáveis de EPG analisadas,
com altas taxas de ingestão floemática, e um indício de resistência ao nível de floema. O comportamento alimentar em ‘Jaette Bintje’
mostra que este cultivar é um ótimo hospedeiro para alimentação e colonização. Em caráter complementar, avaliou-se o impacto de
barreiras físicas (telado, plantas de soja e cobertura flutuante) sobre a incidência de afídeos em plantio de batata em Paranapanema, SP, observando-se um menor número de afídeos em plantas protegidas pela cobertura flutuante até os primeiros 57 dias após o plantio (45 após a cobertura).

Hits: 252

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *